Eleições 2020: vale a pena fazer transmissão ao vivo?

Desde a sua posse em janeiro, o presidente Jair Bolsonaro instituiu, quase como uma agenda oficial de chefe de Estado fazer transmissão ao vivo ou a chamada live, sempre nas noites das quintas-feiras.

Acompanhado de um ou mais ministros ou apoiadores de seu governo, Bolsonaro fala sobre os mais diversos assuntos em lives que chegam a durar mais de uma hora.

Um levantamento do jornal Estadão que em três meses, o presidente fez quase 10 horas de transmissões ao vivo em suas redes sociais e o assunto mais falado foi, surpreendentemente, o tema da pesca que tomou mais de 45 minutos das 25 lives feitas no período.

Sem uma estrutura profissional, com imagem de baixa qualidade, feitas com um smartphone, Bolsonaro atrai milhares – ou milhões – para suas transmissões ao vivo.

Um estudo apresentado em abril, World Leaders on Facebook, colocou Bolsonaro a frente de Donald Trump como o líder mundial com a maior base de seguidores ativos e maior engajamento.

Se Bolsonaro pode fazer transmissão ao vivo, todo mundo pode?

Primeiro de tudo é preciso entender que fazer uma Live ou fazer transmissão ao vivo não se trata de um ambiente controlado. Por mais que exista um roteiro pré-determinado, por ser ao vivo, muitos problemas inesperados podem surgir.

Bolsonaro mesmo, por conta de falas ou assuntos, já virou memes e esquetes de programas humorísticos por conta de suas Lives.

Por isso, é importante saber se o candidato está preparado, tem domínio do tema (ou a pauta), se manterá alinhado dentro de, no mínimo, o pré-roteiro e se tem capacidade de manter a atenção das pessoas para que continuem na transmissão ao vivo.

Sem isso, não vale a pena apertar o botão e iniciar a Live.

Então como e se vale a pena fazer transmissão ao vivo?

Vale a pena sim, mas como tudo na comunicação, não se trata de algo trivial, que deve ser feito todos os dias, para todos os momentos e sobre qualquer tema. Primeiro, porque vai gastar munição e segundo, porque não vai ser novidade, perdendo relevância, que é o foco nas redes sociais.

Quem deseja fazer relatos em tempo real de eventos e agendas pode utilizar os Stories do Facebook e Instagram para isso.

Com tantas dúvidas, separei 3 itens a serem checados para fazer uma boa transmissão ao vivo de um candidato para fortalecer sua comunicação com os eleitores:

1) Tenha, no mínimo, um pré-roteiro

Antes de fazer a live, o candidato precisa saber sobre o que quer falar, a pauta ou as pautas, qual será o norte do que vai falar, o posicionamento adotado e de preferência, quais palavras usar ou não usar para a transmissão ao vivo não ser utilizada contra ele.

2) Do nada não!

O ideal é que as lives tenham periodicidade, até mesmo para formação de audiência. Ou seja, que as transmissões ao vivo aconteçam nos mesmos dias e horários sempre. Melhor ainda se houver espaços regulares entre uma live e outra. Mais de uma live por dia, só em caso de guerra mundial.

Outra ação indispensável é esquentar o público para a live. Por mais que o Facebook avise os seguidores quando uma página está fazendo uma transmissão ao vivo, o ideal é anunciar com antecedência sobre data e horário. Se possível, até sobre o tema para atrair mais interessados no assunto.

Se não der para avisar com antecedência, o ideal é não iniciar a live em si assim que iniciar a transmissão. Deixe o Facebook enviar a notificação, “enrole” no início da live para que outras pessoas possam entrar e aí sim, fale sobre a pauta ou tema.

As pessoas não costumam continuar em transmissões ao vivo que já perderam parte do que está sendo tratado.

3) Sem estrutura, sem live

Apesar de Bolsonaro fazer suas lives com baixa qualidade de imagem, com cenários nada profissionais, nunca lhe faltou internet e conexão.

Transmissões ao vivo feitas com conexões de internet de baixa velocidade tendem a cair muito e as quedas de transmissão tiram a atenção e o interesse da audiência.

Baixa qualidade ou baixo orçamento também não significa sem luz, onde não é possível sequer enxergar o candidato. Como lives granulam mais a imagem, que perde qualidade, uma boa luz é indispensável. Pelo menos, o público merece saber quem está falando do outro lado.

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Quem é Lucas Pimenta?

Lucas Pimenta é jornalista, formado pela Universidade Anhembi Morumbi, com especialização em Marketing Político pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). 

Trabalhou na Câmara Municipal de São Paulo de 2017 a 2022; na Secretaria Executiva de Comunicação da Prefeitura de SP de 2013 a 2016; e na Secretaria Estadual da Segurança Pública de São Paulo, em 2008. 

Foi repórter em jornais como Metrô News, Folha Metropolitana e Agora São Paulo, do Grupo Folha de S.Paulo. Em 2020, concluiu o curso “Citizen Politics in America: Public Opinion, Elections, Interest Groups, and the Media”, na universidade de Harvard. 

Lucas Pimenta é autor da série de formações de Marketing Político “Como ganhar uma eleição com pouco dinheiro?” e criador da maior plataforma de cursos do Brasil, a Escola dos Políticos

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